Dia Internacional da Mulher, não é uma data de festa.

Ontem, 08 de Março de 2021, mais uma vez se comemorou o Dia Internacional da Mulher. E ainda bem que se comemorou, porque a data não é propriamente assinalada por um dia feliz e de festa, e apesar de um domínio feminista, termo abominado por muitos, o debate sobre a questão da mulher é fundamental para a sociedade, embora seja triste que cheguemos ao ponto dessa necessidade. A espécie humana surgiu há cerca de 350 mil anos, e curiosamente só a partir do século XX, a Mulher começa a adquirir estatuto social fundamental na sociedade e ao direito a voto nas urnas, tendo em conta que, em alguns países como a Arábia Saudita as mulheres são proibidas de conduzir, e num exemplo democrático da Europa central, na Suíça, até há década de 1990, ainda haviam regiões onde as mulheres não votavam. Mas como iniciei este texto, o Dia Internacional da Mulher não é um dia de festa, mas um dia de comemoração. E nós devemos comemorar tudo, o bom e o mau. Comemorar é um verbo fundamental derivado do latim, “commemorare”, que quer dizer lembrar junto, e é imperativo que lembremos juntos o motivo das datas e acontecimentos marcados para que não se repitam erros.
O Dia Internacional da Mulher é um dia de comemoração, de muita dor, de muitos sacrifícios, mortes, violência e variados preconceitos de forma extrema, mas também de algumas conquistas. Hoje estamos melhor um pouco, mas já estivemos num ponto tão baixo da ética e da moralidade em relação à Mulher, que as melhorias de hoje ainda são muito poucas para que se possa comemorar este dia num sentido bem mais positivo, e como cereja na ponta do bolo, o ideal era que não fosse necessário comemorar este dia, bem como muitos outros.
As mulheres são o “sexo fraco”, e totalmente definido pelos homens durante milhares de anos. Mas as mulheres duram mais que os homens, e teimo em repetir o que venho a dizer a alguns amigos meus, é que numa noite de frio a mulher é que deveria dar o casaco ao homem, e nunca o contrário, porque o homem é muito mais frágil, e uma simples constipação quase que nos mata. Provavelmente, grande parte das mulheres que me lêem aqui, continuarão a poder ler-me quando eu morrer, e quando os homens que me lêem também morrerem, então é facilmente claro perceber qual o “sexo fraco”.
Mulheres e homens completam-se, e fazem falta um ao outro, e o papel do homem na vida da mulher também é fundamental como o papel da mulher na vida do homem, mas esquecemos facilmente que é a mulher que é portadora da chama da vida, do calor das emoções, do aconchego, do lar, de qualquer espaço da vida em comum e em sociedade. Por isso, fico feliz que a Mulher tenha um papel cada vez mais importante e decisivo nas nossas sociedades, onde são mais racionais e pacíficas, onde resolvem de forma mais resoluta as questões pessoais e sociais. Então, recomendo que não se festeje a Mulher, mas que se comemore, que se reflita na importância delas nas nossas vidas, e que num futuro próximo se possa realizar o sonho de não mais necessitar de termos um dia comemorativo como este. Será sinal de que ser Mulher não é uma questão, mas sim uma vida de igual para igual.

Ferreira Carlos
09/03/2021
Zürich

Resumo eleitoral Portugal 2021


Eles entraram todos na arena ainda antes dos espectadores. Logo há primeirinha Ventura faz um perlim-pim-pim e o CDS desaparece. O PS e o PSD assustam-se, dão as mãos, e saltam para o balcão do terceiro anel a ver no que raio aquela porra vai dar. A direita vai rondando o jogo como não quer a coisa, e o extremo-direito desata a dar pancada aos laterais esquerdos todos. O Tino ergue os braços a pedir penálti, a equipa de arbitragem desentende-se e mais de metade sai do campo, e nisto o Mágico Marcelo desata à chapada de luva branca muito politicamente correcto a todos, obrigando o árbitro à vitória técnica. A trupe dos 6 sai de mãos dadas atrás do Marcelo a cantar o Kumbaya, e o Ventura fecha a porta da arena a ameaçar que “prá próxima é que vai fôr”. Resumindo, na realidade, um grande empate.
Nota final: continuem a propaganda e depois queixem-se que levam também tau-tau.

Vive-se atualmente de uma leve etiqueta de faca e garfo, inventada pela burguesia decadente do século XIX, pela necessidade de mascarar a própria falta de ética. Igualmente, hoje, a ética não interessa para além do politicamente correcto, este que veio substituir a tal etiqueta. Dessa forma, como não mais regamos e podamos a ética, o politicamente correcto anestesia-nos a mente de tal forma que tudo passa a ser normal. Daí à descredibilização de partes, é apenas um estreito passo. Todos contra todos, a crise económica continua na corda, e a crise política cada vez mais um antro putrefacto. Nisto, o prostíbulo de S. Bento cresce tanto, que cria anexos por todo o país.

“A tragédia não é quando um homem morre. A tragédia é o que morre dentro de um homem quando ele está vivo.” – Mário Sérgio Cortella

Ferreira Carlos
17/01/2021
Dielsdorf